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Posts Tagged ‘Águia de Haia’

E lá se foi mais um ano: 2016

Após disparar 4 anos na Standard e 1 ano na Production, achei que poderia ter alguma dificuldade de readaptação na minha boa e velha pistola Open.

Entretanto, ao contrário do que imaginei, os 5 anos de “Iron Sight” me fizeram evoluir em muitos fundamentos. Alguns até que eu desconhecia. A Production em específico, é uma divisão mágica. Se fizer um ou outro Charlie, mesmo com tempo mais baixo, normalmente você irá perder o estágio. É uma baita escola no sentido matemático do jogo do IPSC.
A troca de divisão é sempre muito válida, no meu ponto de vista. Basta reparar nos ponteiros pelo mundo, principalmente os americanos, que estão sempre “pulando” de divisão. No Brasil ainda não temos essa cultura, mas talvez seja questão de tempo.

Já percorri uma longa estrada. São 20 anos dedicados ao esporte, e sinto que nos últimos 3 amadureci bastante. Aprendi a controlar melhor minha mente, a administrar a ansiedade e o que sempre foi mais difícil para mim, lidar com minha própria pressão. Por não ter treinado nesse ano, fui obrigado a disparar com mais tranquilidade e segurança para não errar. A estratégia funcionou e foi nesse ano que fiz as minhas 2 melhores provas internacionais da minha vida. Finalizei o Flórida Open (vídeo) em primeiro lugar, sendo o único competidor sem penalidades em uma prova difícil e extremamente técnica. E no Campeonato Europeu, que aconteceu na Hungria, fui vice-campeão disparando bem e também limpo. Tive apenas uma falha grave na pista 6 da prova, que pode ter custado o título.

Abaixo segue o vídeo do European Handgun Championship de IPSC 2016 sediado na Hungria e mais abaixo a última etapa do Campeonato Brasileiro sediado na cidade de Medianeira/PR (com direito e conhecerem meus técnicos no final do vídeo, rs…):

European Handgun Championship – Hungria 2016

Etapa Final do Brasileiro de IPSC – Medianeira/PR 2016

Um agradecimento especial a estes caras abaixo. Sem eles nada disso seria possível.

sponsors2

Tanfoglio – www.tanfoglio.it

Guga Ribas – www.gugaribas.com.br

Lyon Bullets – http://projeteispintados.wordpress.com

Crossfit Campo Belo – crossfitcampobelo.com

Geco – geco-munition.de/geco-world/ruag.html

Clube de Tiro Águia de Haia – www.aguiadehaia.com.br

Tachyon – www.tachyoninc.com

Fellows – www.fellows.com.br

AHM – michael.ewerton@oi.com.br

Spotblu – silvio@sportblu.com.br

Final do XXVII Campeonato Brasileiro 2014

22/novembro/2014 5 comentários

A 6ª e última etapa do XXVII Campeonato Brasileiro de 2014 foi sediada no Clube de Tiro Pantanal em Cuiabá, na estrada que nos leva a Chapada dos Guimarães.

A FTMT esperava no mínimo 300 inscritos e apenas 240 compareceram. O fato da prova ter iniciado numa quinta-feira pode ter sido um fator limitante. Nem todos os competidores tem disponibilidade e podem “perder” dois/três dias de trabalho.

O MD da prova foi meu amigo Raphael, que com muita competência montou todas as pistas. Essa prova nos proporcionou um pouco de tudo: alvo móvel duplo com no shoot no meio, plates a 25m e tiros de mão forte a 23m. Tivemos a área 1 um pouco mais travada, área 2 de pistas abertas com muita corrida e área 3 mais conservadora. As pistas agradaram a todos. O RM foi o Belino, auxiliado pelos CM Lima, Frank e Cesar.

Na Open,  João Carlos venceu tranquilamente e garantiu o seu Tetra campeonato consecutivo (2011 a 2014). Na Production, a disputa da prova e do campeonato, mais uma vez, foi decidida na última pista. Allison, Felipe e Ishihara tinham chances de vencer. Mas quem teve mais “sangre frio” desta vez foi o competidor Allison – Campeão Brasileiro Production pela segunda vez (2008 e 2014) e mais 3 vezes campeão da divisão revolver (2004, 2004 e 2007).

A Production é a divisão que mais cresce no Brasil e no mundo. Aqui, o investimento no equipamento é menor por se tratar de uma pistola que deve manter a originalidade de fábrica. Outro ponto positivo é a durabilidade da arma e das cápsulas, 4 vezes superior se compararmos a Standard ou  a Open.

Nessa prova fiz um tiro consciente e conservador, na busca de uma boa pontuação. Não tive nenhuma “super” pista e só me “afundei” em uma. O resultado foi uma prova regular e boa margem dos demais competidores. Com esse resultado venci meu 12º campeonato brasileiro e 10º consecutivo, sendo: 4x de Standard (2011 a 2014) e 8x de Open (2001, 2002, 2005 a 2010).

Meus sinceros agradecimentos às pessoas mais que especiais: aos meus patrocinadores Tanfoglio, Lyon Bullets, Guga Ribas e Geco/Ruag; ao meu preparador físico Geraldo Castanha; aos meus pais Roberto e Suzana e a minha esposa Tatiane. Sem o apoio desta galera nada seria possível.

Segue abaixo alguns vídeos desta etapa. Peço desculpas, pois não consegui filmar todas as pistas!

 

Logo Lyon

Logo Guga

 

ruag_geco

 

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Campeonato Brasileiro 2013 – Etapa Final – Recife

14/dezembro/2013 3 comentários

bra_recife_2013

A quinta e última etapa do Campeonato Brasileiro de IPSC 2013 foi realizada de 15 a 17 de Novembro na cidade de Paulista/PE. A FTPPE (Federação de Pernambuco) utilizou o estande Atire que tem o Sr José Porfirio como diretor. Foram 3 dias debaixo de muito sol, porém bem agradáveis devido a brisa que permaneceu presente.

Tivemos aproximadamente 300 atletas inscritos nesta etapa que excepcionalmente foi obrigatória e ainda por cima com peso dois na contagem do resultado final do ano. Foram 5 provas disputadas durante o ano e 2 descartes, tendo esta última etapa multiplicada por 2. Todos os “top shooters” brasileiros estiveram presentes, não só pelo título de campeão brasileiro que estava aberto em todas as divisões, mas também para brigar por uma vaga na equipe ou simplesmente conseguir uma das pouquíssimas vagas sobressalentes para o mundial de 2014 na Florida/EUA. O campeonato mundial acontece a cada três anos e tem suas inscrições limitadas por região (país). Mesmo o Brasil tendo muitos “slots” disponíveis, acaba não sendo suficiente para levar todos que tem vontade de participar desta prova que é a mais cobiçada de todas.

A prova foi extremamente organizada pela FTPPE que tem o La Place (PE) como atual presidente. José Porfirio (PE) foi o Match Director, José Carlos Belino (SP) foi o Ranger Master (juíz principal) auxiliado pelos Chiefs Ranger Officer Dalton Lima (RJ), Frank Stocklein (SP) e Gilberto Perdoná (SP). O Stats Officer (apuração) ficou na mão do Luis Cesar Costa (SP) auxiliado pelo Gemo (SC). Este time auxiliado por mais de 30 Ranger Officers e muitos outros da organização fizeram uma das provas mais organizadas do ano.

Foram 18 estágios divididos em 3 dias de prova mais o shoot off no final, que nada mais é que um duelo entre os 8 melhores de cada divisão: Standard, Open, Production, Classic e Revolver. O nível técnico foi razoável na opinião dos atiradores de ponta. Os esclarecimentos foram sempre os mesmos: “Os estágios estavam muito parecidos, alguns fundamentos foram esquecidos já outros muito intensificados”. Mas de forma alguma este pequeno detalhe foi capaz de ofuscar o brilho da prova.

Tivemos uma briga emocionante até o último disparo da última pista na divisão Standard e Production. Na Standard, eu tive pequenos problemas no primeiro dia de competição que me obrigou a me esforçar em dobro até o final. Por minha felicidade consegui buscar e finalizei a prova com apenas 10 pontos na frente do Eduardo Caldas (RN) e 11 pontos do meu parceiro de equipe Álvaro Neto (BA) de um total de 1600 pontos disputados, ou seja, a diferença entre nós 3 não chegou a 1%. Já na Production, o grande vitorioso foi o Allison Verício (MG) seguido com 2 pontos de diferença pelo atleta revelação do ano Felipe Sarkis (DF) e 13 pontos para o atual campeão Luis Ishihara (DF). Já na Open João Carlos Stevenson (SP) vem sobrando e garantiu com folga a vitória. Há muito tempo eu não assistia uma disputa tão apertada em uma etapa brasileira.

Já no ranking e resultado final do ano, ficou assim. Lembrando que os 4 primeiros de cada divisão irão integrar a equipe para o mundial de 2014.

STANDARD:
Campeão – Jaime Saldanha Jr – 400%
Vice Campeão – Álvaro Neto – 390%
Terceiro – Francisco Dudu Caldas Jr – 381%
Quarto – Lucimar Domingues – 365%

PRODUCTION:
Campeão – Luis Henrique Ishihara – 398%
Vice Campeão – Allison Verício – 396%
Terceiro – Felipe Sarkis – 389%
Quarto – Augusto Ribas – 351%

OPEN:
Campeão – João Carlos – 400%
Vice Campeão – Ildeu Heller – 363%
Terceiro lugar – Marcio Gabriel – 361,4%
Quarto lugar – Leandro Boaventura – 361,3%

REVOLVER:
Campeão – Wagner almeida – 397%
Vice Campeão – Moacir Azevedo – 392%
Terceiro lugar – Daniel Polverini – 356%
Quarto lugar – Rogério Rosas – 342%

CLASSIC:
Campeão: Henrique Pereira – 400%
Vice Campeão – Antonio Roney Lobo – 394%
Terceiro lugar – Marcelo Sabbá – 360%
Quarto lugar – Alecssandro Dutra – 353%

Encerramento 2012

06/dezembro/2012 6 comentários

Panamericano 2012

Chegamos ao final de mais um ano. Muita espoleta deflagrada, pólvora queimada e projéteis arremessados. Foi um 2012 de treinos moderados, muitos cursos, viagens e novos amigos. Neste, que foi meu 16º ano competindo IPSC, conquistei todas as minhas metas traçadas. Das 17 provas disputadas, perdi apenas 1, ganhei meu 2º Campeonato Panamericano, 10º Brasileiro e 15º Paulista.

Ano que vem terei desafios maiores, onde disputarei uma prova nos Estados Unidos, o Europeu em Portugal e o Latino Americano no Equador. Vou tirar 2 meses de férias e retornar em fevereiro com energia renovada!

Espero manter todos os meus atuais patrocinadores. Meu muito obrigado ao Mr Massimo Tanfoglio (Tanfoglio), ao Marcelo Morbin e Cassiano (Lyon Bullets) e ao Guga Ribas (GR), por mais um ano de parceria bem sucedida. Muito obrigado a todos os RO’s, organizadores de provas, aos alunos de cursos, aos grandes amigos/alunos VIP, a minha mãe Suzana e a minha namorada Tati. Um obrigado especial ao meu pai, Roberto Saldanha, pelo apoio, paciência e por cuidar com tanta competência das minhas pistolas.

Um Feliz Natal a todos e uma excelente passagem para 2013!!!

Logo Tanfo
Logo Guga

Cursos Águia – Julho e Agosto de 2012


Curso Básico II – Atibaia – Agosto de 2012


Curso Básico II – Brasília – Julho de 2012


Curso Básico II – 3 Lagoas – Julho de 2012

 

 

Durabilidade & Detalhes Importantes de uma Tanfoglio

19/dezembro/2011 16 comentários

Muitas pessoas me perguntam sobre a durabilidade de uma Tanfoglio. Decidi, então, fazer um post sobre a minha experiência com a arma e citar alguns dados importantes que o fabricante e o atual 5x campeão mundial me passaram.

Open – Gold Custom Eric

Um top end (cano e ferrolho) da arma do Eric Grauffel, modelo Gold Custom Eric / calibre 38super / fator maior / divisão Open, dura 100 mil disparos. Um novo top end é instalado no mesmo frame e mais 100 mil disparos são efetuados. Após 200 mil tiros, Eric troca de arma apenas por precaução, pois ela não apresenta nenhuma avaria grave. Eric dispara mais de 120 mil tiros em um ano e tem total liberdade dentro da Tanfoglio.

A minha Gold Custom me ajudou a ganhar o Latino Americano do ano passado. Já disparei aproximadamente 6 mil tiros e ainda é muito cedo para dar o meu testemunho. Nunca troquei se quer um parafuso dessa arma. No ano de 2012, pretendo disparar também de open e darei um feedback mais pra frente.

Um ponto importante a ser avaliado na Open é que no Brasil não temos uma pólvora adequada. Com isso, a durabilidade de um cano dificilmente chegará a 100 mil disparos como na arma do Eric, que utiliza pólvora Vectan. Nos últimos canos utilizados na minha antiga STI, híbridos de 4 furos da marca “Schuman” (um dos melhores do mercado, se não for o melhor), tinham a vida útil de aproximadamente 16 mil disparos. Acima desta quantidade, problemas de extração começavam a surgir. Para um cano sem furos, pode-se estender para aproximadamente 21 mil disparos sem problemas. Se os meus canos da Tanfo durar a metade do que é suportado pelas armas do Eric, teremos 3 vezes mais durabilidade e isso representa o custo de 2 canos extras da Schuman, que não custam barato.

Standard – Limited Custom HC

Este ano foi, sem dúvida, o ano em que mais treinei. Tive uma certa cobrança “saudável” dos meus patrocinadores, em busca do título mundial. Disparei em torno de 35 mil tiros com a minha Tanfoglio Limited Custom HC (de treino) / calibre .40 / fator maior / divisão Standard. Nestes 35 mil disparos tive 2 extratores e um slide stop quebrados. No meu ponto de vista, depois de disparar 15 anos de STI, isso está totalmente dentro da normalidade. A diferença é que para trocar um extrator em qualquer Tanfoglio, vc precisará de um “saca pino” e um martelinho, sem a obrigação de mandar a arma para um armeiro e ter mais essa despesa.

Algo que sempre troquei com frequência nas minhas STI foi o sistema de gatilho (sear e hammer), pois sempre gostei de gatilho leve. Já com as minhas Tanfos, depois de ajustadas, não tive a necessidade de mexer novamente e muito menos ter que trocar por peças caríssimas, mesmo compradas nos Estados Unidos. Com tudo original nas Tanfos nós conseguimos uma excelente ação no gatilho.

Segundo a fábrica, a vida útil de uma Limited Custom (Standard) é ainda maior que da Gold Custom (Open).Podem ficar tranquilos com a vida útil destas máquina italianas. A fábrica investe em melhorias ano após ano.

Production – Stock II

Se o usuário cuidar da pistola desta divisão, ele terá arma para a vida toda. O modelo Stock II possui a mesma rubustez dos modelos citados acima, porém dispara em fator menor.

Recomendação

Para quem é competitivo e treina muito, minha sugestão é fazer uma manutenção preventiva a cada X mil disparos, dependendo do modelo e calibre utilizados. Assim como se faz nos carros, motos, helicóptero, etc… Eu por exemplo, trocarei o extrator da minha Limited Custom HC a cada 8 mil disparos, slide stop a cada 25 mil, alça de mira a cada 35 mil e sear e hammer quando houver necessidade (creio que com o mesmo kit é possível efetuar mais de 100 mil disparos).

Fonte

Essa informação foi fornecida pelo Mr Massimo Tanfoglio (atual presidente da fábrica). Conversei com o Eric Grauffel no início deste ano, porém, infelizmente, ele só soube me responder sobre a pistola Open. E também em cima da minha experiência até agora com a marca.

Assistência Técnica

Especializada e com tudo a pronta entrega, para a comodidade dos clientes Tanfoglio Brasil.

A Tanfoglio investe em melhorias, pois tem como “carro chefe” as armas de competição. São feitas com muito esmero e acima de tudo com garantia e assistencia Técnica.

Tanfoglio x Witness EAA (Americana)

A Tanfoglio Brasil irá fornecer recursos necessários para os seus clientes. A Witness, mesmo sendo fabricada pela Tanfoglio, não é de responsabilidade nossa. Caso uma Witness apresentar problemas, nossa assistência irá resolver, porém o custo das peças e mão de obras serão outros.

E por falar em Witness, vou publicar aqui algo que muitos não sabem. Segue abaixo a lista das armas da divisão Production aprovadas pela IPSC das marcas Witness EAA e Tanfoglio:

Witness EAA:
Witness Steel, Polymer, P, PS, P Carry, Elite Stock (and subcompact versions), Stock II
(Witness Carry Comp, Gold, Silver and Limited versions are not approved)

Tem muita gente que está utilizando a Limited Pro da EAA e esta arma não está aprovada pela IPSC. Se a organização da prova levar o regulamento à risca, quem tiver uma Limited Pro Witness irá automaticamente para a divisão Open. Fique atentos.

Além disso, a partir do ano que vem a Tanfoglio não fornecerá mais armas de competição para esta empresa.

Tanfoglio:

“Force 38, Force 38F Carry, Force 38F, Force 38L, Force 40, Force 40F Carry, Force 40F, Force 40L, Force 40R Carry, Force 40R, Force 45, Force 45F Carry, Force 45F, Force 45L, Force 45R Carry, Force 45R, Force 921, Force 921F Carry, Force 921F, Force 921L, Force 921R Carry, Force 921R, Force 99, Force Compact 40, Force Compact 45, Force Compact 921, Force Pro, GT10, GT21 Baby, GT21 Combat, GT21, GT23, GT40 Baby, GT40 Combat, GT40, GT45, P19 Combat, P19 Standard, P19L, P21 Combat, P21L, P23, P23L, P38L, P40 Compact, P40, P40F, P40FB, P40L, P40R, P41, P45, P45L, T94F, T94R, T95F Stock, T95F, T95R, T96F, T96R, T97F, T97L, T97R, TA10 Compact, TA10, TA40FB, TA45 Compact, TA45, TA90 XL2, XL4, Stock, Stock II, Stock III, L, Combat Sport, TZ-75 C90, Limited PRO
Also approved are variants with original Tanfoglio barrels which are longer than standard (e.g. Stock II Limited) provided the barrel length does not exceed 127mm, and provided all other aspects of these variants fully comply with all other Production Division rules.
(Stock Custom model is not approved)”

Todos os modelos da Tanfoglio estão aprovados e ainda no caso da Stock II e Limited Pro, é válido a utilização de canos maiores, desde que não ultrapassem 127mm.

Estes dados foram retirados do próprio site da IPSC na data de 08/12/2011.

Eneacampeão – XXIV Campeonato Brasileiro de IPSC 2012

22/novembro/2011 62 comentários

O XXIV Campeonato Brasileiro de IPSC deste ano foi o meu 15º disputado e o 9º conquistado. Porém pela 1ª vez eu venci na divisão Standard (todos os outros 8 foram conquistados na divisão Open). Lá no meu início no IPSC eu disputei os dois primeiros campeonatos brasileiros (1996 e 97) de Standard, porém sem resultados significativos. Considero este resultado especial pois além de ser inédito, fechei o ano invicto aqui no Brasil.

Os passeios

Macuco Safari

O campeonato foi realizado em Medianeira, mas a maioria dos atiradores ficaram hospedados em Foz do Iguaçu, que fica a 58Km de Medianeira. Foz representa um dos mais belos destinos turísticos do Brasil. Possui o Parque Nacional do Iguaçu (Patrimônio Natural da Humanidade) onde estão localizadas as famosas Cataratas do Iguaçu. Eu e uma turma aqui de São Paulo tivemos um dia livre e fomos visitar esta maravilha da natureza. O Parque, para o meu espanto, possui muitos atrativos. Como não tivemos muito tempo, fizemos dois dos vários roteiros. Iniciamos pelo “Macuco Safari” (foto ao lado), um passeio dentro de um barco para aproximadamente 18 pessoas em direção as cataratas. Pequenas paradas para fotos são feitas e o passeio finaliza com uma ducha de aguá fria (literalmente), chegando bem próximo a uma das quedas. Brincando antes do passeio, um dos guias nos disse que este banho rejuvenesce 4 anos. Eu não duvido após desfrutar tal experiência. Bom, na sequência, fomos conhecer as quedas por cima na tradicional “Trilha das Cataratas”. Eu já tinha conhecido este local com 9 anos de idade com o meu pai, porém tinha apenas uma vaga lembrança. O lugar é lindo! Estes 2 atrativos são pontos obrigatórios para quem vier a visitar Foz do Iguaçu. Fora isso, o parque possui outras opções como rafting, rapel, arvorismo, escalada, trilhas, sobrevôo de helicóptero e o Parque das Aves.

Além da natureza privilegiada, Foz está na divisa do Paraguai (Ciudad del Leste) e da Argentina (Puerto Iguazú). Para quem quiser comprar, o Paraguai é uma ótima opção, porém não espere luxo e receptividade. Já para quem quiser comer um belo bife de chorizo, bife ancho, lomo ou a diversidade de uma parrillada, visitar a Argentina é tudo de bom. Esta cidade está acostumada a recepcionar muitos brasileiros diariamente e por indicação do meu amigo Cristiano Mafaldo, eu e mais 18 paulistas fomos ao “Quincho del Tio Querido”. Comi um bife de chorizo que estava divino acompanhado de vinho também argentino.

A prova

Apenas 5 pistas das 23.


Este campeonato foi disputado em 3 dias, sendo 10 pistas nos dois primeiros dias e apenas 4 no último. Totalizando assim 24, porém infelizmente tivemos uma pista cancelada. O RO da pista 24 acabou invertendo o posicionamento dos alvos tarjados laterais que só foi notado no último squad da competição, que por sinal foi o meu. Todos os 4 squads do último dia atirou com os alvos invertidos e o re-shoot não seria mais possível, sendo assim o cancelamento foi a única opção.

Eu iniciei a prova muito bem. Estava bem solto e os tiros entraram com facilidade. Consegui abrir algo em torno de 12% para o segundo do meu squad neste primeiro dia. Já no segundo dia, sabendo da minha posição privilegiada, eu sabia que só deveria pontuar para vencer a prova. Porém, sempre que eu adoto esta estratégia meu desempenho não é dos melhores. Além disso eu tive uma queda no estágio 16. Uma madeira limitadora de posto estava muito alta e no momento da pista eu tropecei e “voei” em direção ao chão. Não me machuquei e não cometi infrações, tive apenas pequenos arranhões e algo em torno de 3 a 4 segundos perdidos, porém após esta queda, meu rendimento caiu também nos estágios seguintes. Mesmo assim, devido o desempenho do primeiro dia, eu estava 6% na frente ao final do segundo. No último dia fui razoável e garanti o título. Gostaria de parabenizar os meus amigos Álvaro Neto (vice campeão brasileiro) que fez uma excelente prova de recuperação e ao mestre e “Campeão Mundial Senior” Lucimar (3º colocado) que fez, na minha opinião, a sua melhor prova nacional deste ano, perdendo a segunda colocação na penúltima pista da prova.

A área do estande de Medianeira é muito agradável e de um modo geral, as pistas estavam com um nível médio-baixo. Gostei da prova!

Na Production, sempre muito disputada, Ishihara venceu mais uma vez. Na Modified, Guga Ribas foi o último campeão brasileiro desta divisão que será extinta no dia 1º de Janeiro de 2012. Já na Open, João Carlos venceu seu primeiro campeonato brasileiro. A Light ficou com o Betinho e Revolver Moacir foi o melhor.

São Paulo mandou muito bem por equipes. Venceu nas divisões: Standard (Jaime, Henrique e Luiz Cesar), Open (Joãozinho, Falco, Scanzani e Susumu) e na Light (Leandro, Formiga, André e Penin).

Tivemos 132 competidores na divisão Standard, 68 na Production, 52 na Open, 27 no Revolver e 5 na Modified.

Overall Brasileiro 2011

Equipes Brasileiro 2011

Os problemas

Mais uma vez o Ranger Master Sergio Martins não demostrou tanto interesse nesta prova.

Praticamente todas, para não dizer todas as pistas CLC, estavam fora das dimensões oficiais. Além disso várias linhas de falta e linhas de postos estavam acima do padrão recomendado, inclusive no estágio 16 onde eu sofri a queda citada acima.

O cronógrafo, peça fundamental para um campeonato, foi cancelado devido o mal funcionamento. É obrigação da CBTP providenciar um crono oficial para levá-lo em todas as provas.

Algo chato aconteceu novamente e nenhuma atitude foi tomada pelo RM. No estágio 16, o meu squad iniciou com todos os alvos bem judiados e o no-shoot esquerdo do primeiro posto estava algo em torno de 3,5cm para dentro do “alfa” do alvo central, já o no-shoot direito estava no lugar correto e para um alvo a 15m esta diferença pode fazer toda a diferença. Como este estágio é uma CLC, está especificado que toda a área “alfa” do alvo central deveria estar visível. Nilton Fior viu isso antes de iniciar o squad, mas para não criar polêmica ele deixou passar acreditando que o squad inteiro enfrentaria a mesma dificuldade. Pois bem, eu fui o 5º ou 6º do squad e após a minha queda, eles resolveram arrumar a altura da linha delimitadora que eu tropecei. Neste momento de pausa, Alessandro Abreu percebeu o defeito da pista e reclamou com o RO José Valério, que o atendeu trocando todos os alvos e recolocando o no-shoot no seu devido lugar no momento que nosso squad estava adiantando a pista 17, abrindo e facilitando com 3,5cm. Se IPSC é igualdade para todos, o que entendemos nisso? Que os 5 ou 6 primeiros competidores, incluindo eu, Lucimar e Fior teríamos direito ao re-shoot. Porém o RO Valú, após reconhecer o erro do seu RO auxiliar e até encabulado de passar tal notícia, nos informou que o RM Sergio não autorizou o re-shoot. Para os prejudicados, o recurso seria o caminho. Todos nós ficamos mais uma vez pasmos com tal atitude, porém preferimos novamente não esquentar a cabeça. Sabemos que conversar com o atual RM é sempre uma tarefa de extremo stress. Além de tudo eu tinha caído nesta pista e pela minha experiência, ele iria jogar na minha cara que eu estava querendo o re-shoot por isso e não por um erro de posicionamento de alvo.

Saindo do foco RM, quero falar sobre a organização. No meu ponto de vista, de 0 a 10, eu dou nota 5 devido a alguns fatores. O primeiro foi a falta de ajudantes para reparos nas pistas e obreadores. Em diversas pistas os competidores tiveram que ajudar.

Mas o que mais frustou os atletas foi o descaso com a premiação. Não vejo problemas em receber uma medalha, que por sinal é bonita e pesada. Porém foi uma medalha padrão para tudo e todos. O que diferenciou foi uma etiqueta no verso dizendo a divisão apenas (foto ao lado), nem a classe foi descrita. Eu, por exemplo, ganhei o overall da Standard e campeão por equipe, que foram idênticas as que os RO’s receberam como gratificação. Achei isso um total descaso com os atletas e com o esporte. Isso só tem um nome, lucro. Será que uma prova com aproximadamente 250 inscritos pagantes a R$ 240,00 a inscrição (algo em torno de R$ 60.000,00) não possibilitou uma atenção a mais na premiação?

Quem já dirigiu um campeonato deste porte sabe o quanto é caro bancar tudo. Os gastos mais pesados são com a premiação e custos com os árbitros, porém, por competência da federação, um apoio foi conseguido para pagar os custos dos árbitros. Também é sabido que a federação fica com uma parte do lucro obtido pela venda de material de recarga. E com R$ 10.000,00 é possível fazer belíssimos troféus e belas medalhas personalizadas especificando sua divisão e classe pelo menos. Foi a pior premiação que recebi em um brasileiro até hoje. Só espero que o alto lucro (façam as contas) obtido nesta prova pela federação paranaense seja revertido para os seus atletas.

Um outro ponto que chocou bastante, foi que pela primeira vez os ROs tiveram que pagar por toda alimentação para receberem depois, sem mesmo saberem quando juntamente com a ajuda de custo. O que pesou foi o fato de que “alguns” ROs não estavam preparados para tanto, bem como contavam com a ajuda de custo para o retorno. Não foi uma atitude digna da FPRTP.

Espero que as 5 provas do ano que vem, os digirentes consigam se empenhar pelo atleta e pelos ROs, pois estes sim são os responsáveis por todo show e merecedores de todo o empenho de uma prova bem realizada.

Desculpem a extensão deste post e ainda mais ter que falar sobre estes importunos, mas estou aqui representando os 300 competidores deste campeonato. Eu estaria camuflando erros de pessoas que não pensam no esporte, mas sim no seu próprio umbigo.

As novidades

Uma novidade para o ano que vem foi a retirada do Nacional Open e Nacional Standard do calendário, ficando assim 5 provas válidas para definir o campeão brasileiro, que não será mais definido em um campeonato apenas como foi até hoje. Resumindo, o campeão brasileiro do ano que vem será o primeiro colocado do ranking, sendo considerado 3 provas das 5 disputadas. Algo similar ao nosso campeonato paulista.

A formação da equipe para provas internacionais não será mais finalizada no final do ano anterior, mas sim na última etapa ante-sequente do campeonato internacional. Serão consideradas 3 das 5 últimas provas realizadas antes do campeonato internacional. Pelo que o Heraldo Ribas me disse, atual presidente da CBTP, eles farão este teste em 2012 para levar realmente os atletas mais ativos nas vésperas destes campeonatos nas suas devidas divisões e não mais os mais ativos no ano anterior. Acho justo, porém acredito que pequenas alterações podem ser lapidadas.

Vamos aguardar a publicação oficial no site da CBTP no início do ano que vem.

Agradecimentos

Não canso de agradecer meus patrocinadores ao apoio prestado neste ano de 2011. Muito obrigado a você Marcello Morbin da Lyon Bullets, Guga Ribas da GR Company e Mr Massimo Tanfoglio.

Este ano foi diferenciado pra mim, pois tive condições de treinar e ao mesmo tempo me condicionou a pensar não só em fazer um bom resultado para a minha satisfação pessoal, mas também levar estas 3 marcas junto de mim ao lugar mais alto do pódio sempre.

Agradeço também o meu pai, Roberto Saldanha e ao meu pai número 2, Susumu Iwabe pela amizade e companheirismo em mais um ano de IPSC.

Não posso deixar de agradecer aos amigos Rodrigo da Venticinque Odontologia, Marco Carbonari do grupo IMA e Cid Kusano a ajuda para o campeonato mundial da Grécia deste ano.

Espero estar com todos vocês em 2012. Podem ter certeza que farei o possível para nos manter sempre em primeiro lugar.