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Team Tanfoglio Brasil 2018 – Nicolas e Catarina

 

 

 

Desde o início deste ano estamos com dois novos e jovens integrantes de Blumenau em nosso Team Tanfoglio Brasil. A doce e encantadora Catarina Fiorini Oechsler, 13 anos e praticante do Tiro Prático oficialmente desde os 11 e Nicolas Fiorini Oechsler, um garoto dedicado e promissor de 17 anos e praticante desde os 11 também. Ambos filhos de atiradores, que assim como a minha família “Saldanha”, seguem unidos na vida e no esporte.

Para nós é uma honra tê-los em nosso time. Que seja o início de uma longa e promissora jornada. Meu agradecimento especial aos pais, Tânia e Kuki Oechsler, por confiar seus meninos aos nossos cuidados.

Vamos conhece-los um pouco mais de perto:

  1. Quando e como iniciaram no Tiro Prático? Seus pais incentivaram de alguma maneira? Conte nos um pouco sobre o início dessa trajetória.

Nicolas: Comecei a atirar para acompanhar meu pai. Sempre fui fã de armas e poder ter um contato maior com elas sempre me animou. Até que fiz minha primeira prova, e o que era apenas um hobby de fim de semana, passou a ser um estilo de vida. Logo que comecei a viajar para campeonatos com meu pai com frequência, minha mãe e minha irmã decidiram nos acompanhar. Era uma forma de manter a família mais próxima e compartilhar de um prazer em comum. Hoje viajamos o Brasil todo, competindo em diversos locais e conhecendo várias pessoas ligadas ao esporte.

Catarina: Comecei a atirar para acompanhar meus pais e meu irmão, que já praticavam o esporte. Sempre fiquei fascinada e um tanto agoniada por passar os campeonatos assistindo e esperando ansiosamente minha vez chegar. Logo que conseguimos as autorizações necessárias para menores praticar o esporte, ganhei minha primeira arma, um Colt M4-ops .22lr. Hoje atiro com uma Tanfoglio stock II, com a expectativa de realizar algumas provas internacionais. Eu e meu irmão temos a sorte de ter a família toda atirando juntos.

  1. Quais esportes já praticou e/ou pratica? De alguma maneira ajuda a melhorar seu desempenho no IPSC?

Nicolas: Já pratiquei futebol e handebol quando mais novo, mas acabei abrindo mão para me dedicar mais ao tiro. Hoje em dia pratico apenas Crossfit, visando um melhor condicionamento físico, o que ajuda nas pistas.

Catarina: Pratico handebol no colégio e acredito que ele me ajuda no desempenho para as pistas de IPSC.

  1. Além do treinamento físico e técnico, tem algum outro tipo de preparação para os campeonatos?

Nicolas: Além do Crossfit, mencionado acima, procuro sempre fazer outro esporte aeróbico para ter uma boa resistência cárdio. Tenho também o acompanhamento de uma psicóloga do esporte, a Sra. Maria Izabel Alves Martins, uma ótima profissional que ajuda muito na questão emocional.

Catarina: Eu também iniciei um treino de fortalecimento muscular e boxe para auxiliar no preparo físico.

  1. Quais são as maiores dificuldades durante as competições?

Nicolas: Ainda estou me desenvolvendo como atleta e me encontrando. Acredito que minha maior dificuldade seja conciliar, de uma forma melhor, pontos X tempo. E após cometer algum erro (porque errar é humano) conseguir deixá-lo para trás e iniciar cada pista como sendo “única”.

Catarina: Para mim, uma dificuldade encontrada é conseguir me concentrar com tantos amigos conversando. Além do pouco tempo que temos de walk through.

  1. Quais foram os atletas de maior referencia no início e atualmente?

Nicolas: Desde sempre até hoje eu possuo duas grandes referencias no esporte, Jaime Saldanha Jr. e JJ Racaza. Pra mim, são dois atletas impecáveis em técnica, mente e físico.

Catarina: No início, as referências foram meu irmão e meu pai. Mas no dia 15 de fevereiro de 2015, conheci o Jaime Saldanha Junior, e a partir daí, ele foi minha referência no esporte.

  1. Tem algum ídolo dentro ou fora do tiro?

Nicolas: Meu pai.

Catarina: Meus ídolos são todos atletas de IPSC, são eles: Jaime Saldanha Junior, JJ Racaza, Maria Gushchina e meu irmão Nicolas.

  1. Como foi sua entrada para o Team Tanfoglio?

Catarina e Nicolas: Nossa família estava reunida em uma cafeteria quando o Jaime chamou meu pai via whattsapp. Alí começou a se realizar um grande sonho que é fazer parte da Team Tanfoglio Brasil.

  1. Catarina, como se sente migrando para a divisão Production? Notou muita diferença da divisão Light para a Tanfoglio Stock II?

Catarina: Tenho grandes expectativas da divisão Production, pois posso atirar nessa divisão fora do Brasil. Notei grande diferença, saindo da divisão light (atirava de Imbel) principalmente quanto ao gatilho de ação dupla e ao recuo da arma! Agora tenho que acostumar com a preparação do gatilho e sempre me lembro das palavras do Sr Roberto Saldanha: “ Prepara.., esmaga. Prepara…, esmaga!!”

  1. Nicolas, porque escolheu a divisão Production? Sendo um atleta tão veloz, pensou em migrar para a divisão Standard ou Open?

Nicolas: a Production é a melhor escola dentro do tiro. Nela você aprende os fundamentos de uma maneira melhor do que em qualquer outra divisão. E no IPSC, velocidade não é tudo.

  1. Como é sua rotina de treinos?

Nicolas: procuro treinar todos os dias, ou sempre que possível. Sejam treinos técnicos ou mentais.

Catarina: Treino em seco em casa durante a semana, e nos finais de semana vamos ao clube!

  1. O que acha do tiro em SC e no Brasil?

Nicolas: Santa Catarina, na production, é um dos estados mais fortes do Brasil. Possui diversos atiradores experientes que, com certeza, disputam um lugar no pódio. O Brasil não se destaca muito como país no cenário mundial. Temos atletas brasileiros que são muito conhecidos lá fora, mas no geral, acho que devido um pouco à nossa legislação rigorosa, não chegamos tão longe quanto os EUA.

Catarina: Sou ainda iniciante no tiro, mas o IPSC esta muito forte em Santa Catarina e no Brasil com grandes referências!

  1. Quais são suas pretensões a curto e longo prazo no Tiro Prático?

Nicolas: Em curto prazo, este ano, pretendo ficar bem colocado nacionalmente. Em longo prazo almejo boas colocações em provas grandes, quem sabe até um mundial.

Catarina: Comecei na Handgun com 11 anos de idade e a curto prazo pretendo ficar entre as 5 melhores damas do Brasil. A longo prazo ser campeã brasileira. E quem sabe subir no podium em algum campeonato mundial.

  1. Possui algum outro apoio/patrocínio?

Nicolas: Além do Team Tanfoglio Brasil possuo outros apoiadores. São eles:
Guga Ribas Company (que fornece todos os equipamentos necessários para a pratica do tiro), Morigi Armeria (que muito nos apoia e mantém uma manutenção regular nas armas da família), Sport Blu (empresa de materiais esportivos que nos veste) e FMD – Fundação Municipal de Desportos de Blumenau.

Catarina: Além dos que o Nicolas citou acima, também temos todo o apoio do meu pai e minha mãe.

 

  1. Descreva, em poucas palavras, o significado do Tiro Pratico para você.

Nicolas: Foco, dedicação e superação.

Catarina: O tiro prático é um jogo divertido que nos ensina respeitar as regras e ter um grande controle. Ensina muito para nossa vida também.

  1. Descreva um breve curriculum com os melhores resultados até o momento.

Nicolas: Campeão Catarinense Handgun Junior, Campeão Catarinense Shotgun Junior, Campeão Catarinense Mini-Rifle Junior, Campeão Catarinense Mini-Rifle Overall. Campeão Brasileiro Handgun Junior, Vice-campeão brasileiro production classe A. Quinto colocado handgun junior no mundial de IPSC.

Catarina: Campeã catarinense divisão light junior,  Campeã brasileira divisão light junior, Vice-campeã catarinense divisão Production junior e 4ª colocada no brasileiro divisão Production damas

 

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II Etapa Do Campeonato Brasileiro de IPSC – Atibaia/SP

I Etapa do Campeonato Brasileiro de IPSC 2018

Florida Open 2018

Nosso dois mil e dezessete

Chegamos ao fim de mais um ano e sempre é tempo de repensar. Uma oportunidade de rever erros e acertos. Entender que nada é por acaso e que tudo tem seu tempo. Mas obviamente não cruzar os braços e esperar acontecer. 2017 poderia ter sido o ano do meu campeonato mundial. Não foi dessa vez, mas foi quando cheguei mais perto. Pude sentir o gosto da vitória e entendi, de uma vez por todas, que sou capaz. Este tão almejado título depende unicamente de mim.

Um atleta tem que ter um cronograma de treinamento, uma metodologia a seguir e entender seus pontos fracos. Dessa forma, treinar em cima disso e ir em busca de um eterno aprimoramento. Minha dica é treinar com alguém experiente e que possa te ajudar a evoluir. Quer vencer? Se dedique e trabalhe para isso. Perca peso se preciso, siga uma alimentação saudável, leia livros voltados para atletas de alto rendimento, assista vídeos dos melhores atiradores do mundo e estabeleça metas! Não tenha o tiro como único esporte, busque outros que te ajudem a melhorar no tiro – musculação, natação, corrida, crossfit, bike, lutas, pilates, funcional ou qualquer outro esporte que lhe traga prazer e contribua para seu melhor desempenho.

Além disso, um atleta de verdade tem que reconhecer seus adversários e realmente aprender com os erros. O que nos leva ao sucesso é a maneira que lidamos com a vitória e também com o fracasso. Pois assim é a vida, uma eterna roda gigante.

E por falar em treinamento, esse foi o ano no qual eu e meu pai, Roberto Saldanha, conseguimos nos dedicar mais ao nosso tão idealizado Team Tanfoglio. Um time formado por atletas de destaque, em sua grande maioria, formado por nós. Pessoas que acreditam na nossa metodologia e que, através de muito treino e dedicação, subiram de nível e conquistaram bons resultados. E é esse nosso grande desafio – formar atletas campeões!

Olhem só o que nossa galera aprontou:

JAIME SALDANHA JR
– Pentadecacampeão (15x) Brasileiro – Open Division Overall
– Campeão do Open Argentino 2017 – Open Division Overall
– Integrante da equipe Brasileira no XVIII World Shoot – Open Division
– 4º lugar no XVIII World Shoot – França – Open Division Overall

 

 

 

ROBERTO SALDANHA
– Campeão Brasileiro – Open Senior
– Campeão Estadual (SP) – Open Senior
– Integrante da equipe Brasileira no XVIII World Shoot – Open Senior
– 5º lugar no XVIII World Shoot – França – Open Senior

 

 

 

FELIPE SARKIS
– Campeao Brasileiro – Production Division Overall
– 37º lugar no XVIII World Shoot – França – Production Division Overall

 

 

 

 

MARIO “TITELA” NETO
– 3° lugar (Podium) no XVIII World Shoot – França – Standard Junior
– 5° lugar Campeonato Brasileiro – Standard Division Overall
– Campeão Brasileiro – Standard Master
– Bi-campeão Brasileiro – Standard Júnior
– Tri-campeão Estadual (AM) – Standard divisão overall
– Tri-campeão Estadual (AM) – Standard Júnior

 

 

MOLINA
– Vice Campeão Brasileiro – Production Division Overall
– Tri Campeão Brasileiro – Categoria Policial
– Penta Campeão Estadual (MT) – Production Division Overall
– Integrante da equipe Brasileira no XVIII World Shoot – França – Production Division

 

 

 

EDMUNDO MACEDO FILHO
– 3º Colocado Brasileiro – Production Division Overall
– Bi Campeão Brasileiro – Production Classe Master
– 89º lugar no XVIII World Shoot – França – Production Division Overall

 

 

 

 

NICOLAS OECHSLER
-5º lugar no XVIII World Shoot – França – Production Junior
-2º Lugar Campeonato Brasileiro – Production Classe A
-Bi-campeão Brasileiro – Production Júnior
-Campeão Estadual (SC) – Production Júnior

 

 

 

DÁLIA AMORIM
– Vice Campeã Brasileira – Production Ladies
– 3º lugar Copa da 7RM – Production Division Overall
– 1º lugar Copa da 7RM – Production Ladies
– 2º lugar Estadual (AL) – Production Division Overall
– 1º lugar Estadual (AL) – Production Ladies

 

 

MARCIO GABRIEL “BIEL”
– Vice Campeão Brasileiro – Open Division Overall
– Campeão Amazonense – Open Division Overall
– Integrante da equipe Brasileira no XVIII World Shoot – Open Division

 

 

 

 

SUZANA SALDANHA
– Vice Campeã Brasileira – Open Ladies
– Vice Campeã Estadual (SP) – Open Ladies

 

 

 

 

 

CATARINA OECHSLER
– Campeã Brasileira – Light Júnior
– Campeã Estadual (SC) – Light Júnior

 

 

 

 

CARLOS BICALHO
– Vice Campeão Brasileiro – Production Sênior
– Campeão Estadual (DF) – Production Super Sênior

 

 

 

 

YUKIO YAMAGUCHI:
– Campeão Brasileiro – Production Senior
– Campeão Estadual (SC) – Production Senior
– Vice Campeão Estadual (SC) – Production Division Overall
– Vice Campeão Conesul – Production Division Overall
– Campeão Conesul – Production Senior
– Campeao Desafio das Américas (Paraguai) – Production Division Overall
– Campeao Desafio das Américas (Paraguai) – Production Senior
– Integrante da equipe Brasileira no XVIII World Shoot – França – Production Senior

Meus sinceros agradecimentos para aquelas pessoas que acreditam em mim: A todos integrantes do Team Tanfoglio, a todos do Team Águia de Haia, ao Mr Massimo, Mattia e Cristian da Tanfoglio (Italia), ao Marcelo Morbin dos projeteis mágicos da Lyon Bullets, ao Guga Ribas, Pedro Ribas, Diana e toda a equipe GR Company, ao Clube de Tiro Águia de Haia, a minha querida madrinha Maria do Carmo da Geco/Ruag, ao Raymond da Tachyon, ao Silvio da Sportblu, ao Michael Ewerton da AHM, ao Bob e Sahão da Crossfit Campo Belo, ao meu amigo Totti e em especial a 3 pessoas que sempre estão do meu lado independentemente de qualquer coisa – meu pai Roberto, minha mãe Suzana e a minha esposa Tati.

Feliz Natal e que venha 2018!!!

IPSC World Shoot – Chateauroux/France

27/setembro/2017 4 comentários



O campeonato mundial 2017 de IPSC aconteceu em Chateauroux – uma cidade no centro da França com aproximadamente 40 mil habitantes, localizada a 270 km de Paris. A prova aconteceu entre os dias 27 de agosto a 3 de setembro, com a participação de 1500 atletas de 87 países, disputando em 5 divisões – Open, Standard, Production, Classic e Revólver. O World Shoot de IPSC acontece a cada 3 anos e é como se fosse a nossa copa do mundo de futebol. Foram 6 dias de competição, disputando o lugar mais alto do podium.

Esse foi meu 7° campeonato mundial, e depois do mundial de 2011 e 2014 disputando de Standard, retornei as minhas origens e voltei a atirar de pistola Open. Infelizmente não consegui treinar o quando gostaria e deveria, mas me preparei o tanto que pude e realmente fui muito confiante a conquistar o título de campeão mundial. Sempre soube que disputaria de igual para igual, com pelo menos 15 atletas do mesmo nível – entre eles, o campeão mundial de 2014, o europeu de 2016, além dos campeões da Australasia e os tops Americanos. Mas segui confiante desde o início. Meu objetivo era fazer meu tiro. Fazer o que sei e não errar.

No primeiro dia de prova (segunda-feira) estava bem tenso e comecei numa pista grande. Na pista de nº 20 tivemos alvo a 25 metros, muitas chegadas de posto, tiro em movimento e 3 alvos no final para “acelerar”. A adrenalina era grande e se pudesse não escolheria essa pista para iniciar a prova. Fiz o melhor tempo, porém com charlies a mais do que deveria. Para minha surpresa, no final do dia descobri que havia ganho a pista, não poderia ter começado melhor. Depois, fiz uma pista péssima de mão fraca e outras razoáveis. No final do dia arrisquei em um alvo móvel, o que não deveria, e acabei fazendo meu primeiro miss da prova. Finalizei o dia em 8° a 28 pontos do KC Eusebio (EUA), que iniciou a prova liderando.

No segundo dia (terça-feira) fui cuidadoso e um pouco mais lento. Ganhei mais 1 pista e finalizei o dia bem e satisfeito. Subi para a 5° colocação.

O terceiro dia (quinta-feira, após a quarta de folga) foi um pouco pior, sem penalidades, mas atirei muito mal na pista grande. Com isso perdi pontos preciosos e voltei para a 7º colocação, a 22 pontos do Max Michel, que “destruiu” a área 1.

Meu quarto dia (sexta-feira) foi impecável. Atirei bem todas as pistas da área 2, assim como meu companheiro de squad – Jorge Ballesteiros. Esse foi meu melhor dia, e tanto eu quanto Jorge subimos muito. Finalizei em 3° a 16 pontos do Jorge, que assumiu a liderança, e a 2 pontos do KC Eusebio que estava em segundo.

Considero o último dia dessa competição (sábado) o dia mais importante da minha carreira. Estava bem tenso e comecei na pista 14 – com 3 poppers em 2 posições ajoelhado. Atirei bem e ganhei a pista. Na seguinte – pista 15 do túnel de cooper, tive um extra shoot e a pontuação não foi das melhores. Entretanto, fiquei “no bolo”. Na de nº 16 – a pista da algema, infelizmente não dei sorte. O nó rodou pra dentro e a corda ficou curta. Com isso não consegui alcançar o popper da esquerda. Perdi quase 4 segundos e 18 pontos apenas nessa pista. Lógico que isso me desestabilizou, mas segui confiante para a pista grande do dia. Pista 17 – a maior e mais difícil do mundial de 2017.  Nessa pista tínhamos 2 estratégias principais: a primeira seria ir até o final da pista e finalizar em um alvo visível a 45 metros de distância através de uma janela baixa. Na segunda estratégia eliminaríamos uns 15 metros de corrida. Entretanto, esse mesmo alvo que faríamos ajoelhado, teríamos que fazer a 55 metros, estando ele parcialmente visível logo da “start line”. Lógico que essa estratégia seria muito mais arriscada, mas fizemos um cálculo rápido e ganharíamos de 5 a 6 segundos. Jorge foi o primeiro na pista e optou pela segunda estratégia. Ele fez a pista em 23 segundos e limpa. Impecável! Eu também rodei em 23 segundos, mas infelizmente tive um miss no alvo complicado. Mesmo com o miss fiquei bem classificado. Entretanto, nesse momento, o título de campeão do mundo escapou do meu alcance.

Faltavam 2 pistas para acabar. A 18 foi uma pista pequena e todos os competidores que estavam na disputa fizeram na média.  A última pista, de número 19, foi uma pista estranha na qual tínhamos umas 10 estratégias para escolher. Talvez por ser a última e pela tensão de todos, o walk through foi bem bagunçado. Pareciam 18 “perdidos” tentando encontrar a melhor maneira de resolver a pista. Meu pai havia me passado uma boa estratégia, mas mudei um detalhe. Após o bip, meu primeiro conjunto de alvos foram 2 alvos na vertical com 1 no-shoot no meio. Quando mudei de alvo, meu terceiro tiro tocou no no-shoot por não ter compensado o paralax. Esse alvo estava a menos de 5 metros de distância. Nesses poucos segundos, mil coisas passaram pela minha cabeça: ” perdi o podium por burrice minha, próxima chance só em 3 anos, nano to acreditando…”. Com isso foi notável o quanto me perdi na pista. Perdi o foco, errei feio e perdi mais 20 pontos muito preciosos. Verificando a pontuação no final, o tiro acabou não cortando a linha do no-shoot. Felizmente escapei de algo ainda pior.

Foi esse o meu mundial de 2017 e finalizei em quarto lugar. Na minha opinião, passou bem longe de ser um exemplo de prova. Não foi a minha melhor prova da vida, mas foi meu melhor mundial até hoje. Sigo contente por ter feito uma prova consistente e disputado lado a lado com atletas do mesmo nível. Fiquei decepcionado pelo meu último dia mas entendo que faz parte. Todos erram, mas quem ganha é quem erra menos. Mais um grande aprendizado e o melhor, eu senti o cheiro da vitória. Sigo com o mesmo objetivo de alcançar o título de campeão mundial em 2020. E da maneira que sempre fiz e aprendi com meu pai, vou seguir competindo de maneira ética, respeitando meus adversários e exigindo sempre o melhor de mim.

 

Não poderia deixar de agradecer as pessoas que me fizeram chegar até aqui. Sem eles eu não seria nada. Meu muito obrigado ao Mr Massimo, Mattia e Cristian da Tanfoglio, ao Marcelo Morbin da Lyon Bullets, ao Guga Ribas, Pedro Ribas, Diana e toda a equipe GR Company, ao Clube de Tiro Águia de Haia, a minha madrinha Maria do Carmo da Geco/Ruag, ao Raymond da Tachyon, ao Silvio da Sportblu, ao Michael Ewerton da AHM, ao Bob e Sahão da Crossfit Campo Belo, ao meu amigo Totti, ao André Lourenço que editou o vídeo acima, a todos aqueles que torcem por mim e em especial a 3 pessoas que sempre estão do meu lado independentemente de qualquer coisa: meu pai Roberto Saldanha, minha mãe Suzana e a minha esposa Tati. Sem palavras…

Team Tanfoglio Brasil 2017 – Dália Amorim

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Praticantes e apaixonados pelo tiro prático como somos, eu e meu pai estamos sempre em busca de novos talentos.

No meio do ano passado, através do Facebook, vi um vídeo de Dália Amorim, uma atiradora de Maceió, que havia começado no IPSC há pouquíssimo tempo. Esse vídeo me chamou a atenção por um motivo – normalmente, quem começa no esporte, por mais preparado que esteja fisicamente, não consegue se movimentar com tanta facilidade. O que vi na Dália foi justamente o oposto – deslocamentos com explosão e velocidade,  porém sem muita técnica.

Na penúltima etapa do brasileiro em Manaus, tive o prazer de conhecê-la. Falei a respeito dos deslocamentos e perguntei quais eram suas pretensões no tiro prático. Dália agradeceu, disse o quanto se identificou pelo IPSC, e que desde então o esporte era sua prioridade. Me disse ainda, que era muito competitiva e que nunca deixaria de praticar o tiro.

Conversamos sobre meus cursos e 2 meses depois, ela veio para SP para 2 dias de aprendizado junto da nossa super campeã das antigas Carol Faci.

Se me dissessem para definir a Dália em uma palavra, eu diria: persistência! Ministro cursos com meu pai desde 2000 e vi poucas pessoas com a dedicação e força de vontade dela.

dalia_02Devido a imensa vontade de crescer e também atirar fora do Brasil, Dália viu a  necessidade de migrar para uma divisão oficial. Logo de cara eu indiquei a Production, que na minha opinião é a divisão mais interessante atualmente.  O objetivo era iniciar 2017 de equipamento novo. Ela foi atrás e há duas semanas, Dália já está com a sua Tanfoglio Stock II prontinha.

Mesmo com pouca experiência, ela já mostrou que não chegou para brincar. No seu primeiro ano de IPSC já finalizou como vice campeã brasileira na categoria Damas Light. O talento da Dália para o esporte, somado a dedicação nos treinos e persistência em busca da perfeição,  fizeram com que nós, da Tanfoglio Brasil e Cursos Águia , a convidássemos com muita honra a participar do nosso time.

Bem vinda, Dália! Que você venha para somar e tenha um brilhante futuro no nosso amado tiro.

 

Um pouco mais sobre Dália:

1) Como e quando foi seu primeiro contato com o tiro?
R: Meu primeiro contato com o tiro foi em 25 de Julho de 2015, onde ocorria uma prova de carabina de ar. Vi o convite aberto ao publico em um conteúdo informativo na academia e decidi participar. Até então sem nenhuma intenção de me tornar uma atleta de tiro esportivo. Tive a felicidade de conhecer o presidente do clube CATO (Clube Alagoano de Tiro Olímpico) e o interesse de conhecer o esporte mais a fundo. Após algumas semanas iniciei o treinamento de uma modalidade do tiro esportivo chamada “Duelo 20 segundos”. Nesta modalidade eu atirava com 5 armas curtas (pistola maior e menor, revolver maior e menor e snub). Comecei a participar das provas estaduais e logo me confederei a CBTE, participando das provas nacionais até Junho de 2016.

dalia_032) Como o Tiro Pratico surgiu na sua vida?
R: Em outubro de 2015 tive minha primeira vivência com o IPSC e no mesmo mês já participei da minha primeira prova no estado de Pernambuco. Achei esta modalidade muito desafiadora por envolver destreza sem perder a precisão. Desde então me propus a viajar pelo nordeste e adquirir mais experiência de prova e conhecimentos teóricos. Durante um pouco mais de 6 meses pude ir a provas em Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Bahia, após este período resolvi abandonar o tiro esportivo e me dedicar apenas ao IPSC, me confederei a CBTP e fui em todos os nacionais conseguindo o titulo de vice-campeã brasileira na divisão light, categoria damas. 

3- Quais os esportes já praticou e/ou pratica?
R: Venho de uma vida esportista e sempre cheia de desafios. Durante quase 4 anos fui surfista de body boarding, competi por um pouco mais de 2 anos corrida aventura, e no decurso de 6 anos fui atleta de alto rendimento de jiu jitsu pelo clube Gracie Barra. Hoje pratico musculação e exercícios funcionais que estimulem melhorias nas habilidades motoras voltadas para o IPSC. 

4- Como se sente indo para a divisão Production? Notou muita diferença da Glock 380 para a Tanfoglio Stock II 38sa?
R: Agora nesse ano de 2017 inicio um novo ciclo da minha jornada de atleta de tiro prático. Uma nova divisão (Production), nova arma, um novo calibre, algumas mudanças nas regras e muitos planos. Sem dúvida é praticamente um recomeço.  Sair de uma de Glock para um Tanfoglio é uma grande e notável mudança já no primeiro contato. Material, peso, gatilho, recuo, precisão, equilíbrio e até as mãos estão se adaptando aos novos calos. Ah! Por falar em equilíbrio, isto foi o mais senti. Apesar de estar atirando com um fator consideravelmente maior do que atirava, a Tanfoglio mostrou-se uma arma muito equilibrada e aí também entra o fator precisão. 

5- Como é sua rotina de treinos?
R: Treino em seco pelo menos 3 vezes por semana, 1 vez por semana vou até o Espaço Tático (estande indoor do meu amigo Flavio) e 1 vez por semana no CATO (estande aberto) onde treino exercícios mais complexos. Vale ressaltar que agora, após os treinamentos com o Jaime Saldanha Jr, eu aprendi como se deve treinar de verdade. Não faço muitos disparos por treino devido o alto custo dos insumos.

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Jaime e Dália em um dos cursos avançados realizados em Maceió em Jan/17.

6- O que acha do tiro em Maceió e no Brasil?
R: Apesar da antiga relação do país com o esporte, algumas pessoas ainda associam a prática do tiro com algo violento e espantoso, entretanto acredito que a marcante presença do tiro esportivo agora nas olimpíadas de 2016 tende a melhorar e mudar um pouco esse cenário. Já como CAC, citaria inúmeras dificuldades que nos deparamos e que comprometem nossa prática e consequentemente nosso desempenho. A começar por alguns incisos do R105, mas no momento não tornarei o assunto extenso. 

7- Quais são suas pretensões a curto prazo no Tiro Prático?
R: Neste ano de 2017 almejo o título de campeã brasileira na Production Damas e subir gradativamente no overall desta divisão. Pretendo fazer também algumas provas internacionais para ganhar experiência.

8- Possui algum outro apoio/patrocínio? Quais?
R: Além do apoio de vocês da Tanfoglio Brasil e Cursos Águia, eu recebi um apoio do Guga Ribas e da Lyon Bullets. Já estou usando todos os produtos da GR e os projéteis de 145gr modelo D20 da Lyon Bullets.

 

 

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